Luciano Colicchio Fernandes elucida que a presença crescente de tecnologia no esporte ultrapassou o campo técnico e passou a influenciar comportamentos, percepções e debates públicos. Ferramentas como o VAR, sistemas de impedimento semiautomático, plataformas digitais e recursos de personalização do conteúdo esportivo vêm transformando a experiência do torcedor e a própria compreensão do que é justiça, transparência e espetáculo esportivo.
Tecnologia, confiança e percepção de justiça
O esporte sempre foi marcado por decisões humanas sujeitas a erro, o que fazia parte de sua narrativa histórica. Com a introdução de tecnologias de apoio à arbitragem, esse elemento passou a ser reinterpretado. A expectativa social agora é de que decisões sejam mais precisas, auditáveis e justificáveis.

Esse novo patamar tecnológico elevou o debate público sobre justiça esportiva. Erros que antes eram atribuídos exclusivamente ao árbitro passaram a gerar questionamentos sobre sistemas, operadores e critérios técnicos. Na análise de Luciano Colicchio Fernandes, a tecnologia alterou o “contrato simbólico” entre o esporte e o público: ao prometer maior precisão, ela também aumenta o nível de cobrança e escrutínio social.
O novo comportamento do torcedor conectado
A transformação tecnológica também impactou a forma como o esporte é consumido. O torcedor contemporâneo acompanha partidas por múltiplas telas, acessa estatísticas em tempo real e participa ativamente do debate por meio de redes sociais e plataformas digitais.
Essa conectividade ampliou o protagonismo do público, que deixou de ser apenas espectador para se tornar comentarista, analista e produtor de conteúdo. Luciano Colicchio Fernandes destaca que esse movimento fortalece o engajamento, mas também acelera a circulação de opiniões, críticas e desinformação, exigindo maior responsabilidade na comunicação esportiva.
Personalização do conteúdo e fragmentação da experiência
A tecnologia permitiu personalizar a experiência esportiva, oferecendo recortes específicos de jogos, acompanhamento individual de atletas e conteúdos sob demanda. Embora esse modelo amplie o acesso e a diversidade de formatos, ele também fragmenta a experiência coletiva tradicional do esporte.
Eventos que antes eram vividos de forma simultânea por grandes audiências passam a ser consumidos de maneira mais individualizada. Segundo Luciano Colicchio Fernandes, essa fragmentação levanta questões culturais relevantes: até que ponto a personalização altera o senso de pertencimento e identidade construído historicamente em torno do esporte?
Dados, privacidade e limites éticos
Outro aspecto central do debate público envolve o uso de dados no esporte. Informações biométricas, métricas de desempenho e padrões de comportamento passaram a ser coletados e analisados em larga escala, tanto de atletas quanto de torcedores, ressalta Luciano Colicchio Fernandes.
Embora esses dados contribuam para aprimorar desempenho e experiência, eles também levantam preocupações sobre privacidade, consentimento e uso indevido das informações. A ausência de regras claras pode transformar avanços tecnológicos em fontes de desconfiança social, especialmente quando os limites entre espetáculo, vigilância e exploração comercial se tornam difusos.
Entre inovação e responsabilidade social
Ao final, a tecnologia no esporte não pode ser analisada apenas sob a ótica da eficiência ou do espetáculo. Seus efeitos sociais e culturais são profundos e duradouros. Para Luciano Colicchio Fernandes, o desafio contemporâneo está em equilibrar inovação com responsabilidade social, garantindo que o avanço tecnológico fortaleça a confiança pública e preserve o caráter coletivo e simbólico do esporte.
Nesse novo cenário, de fato compreender o impacto da tecnologia sobre o comportamento do público é fundamental para que o esporte continue exercendo seu papel social, cultural e integrador em uma sociedade cada vez mais conectada e orientada por dados.
Autor: Frederici Levi

